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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Pura Maldade

Era um homem bom e gentil. Aliás, Gentil era seu nome. Estava sempre pronto a ajudar, servir, apoiar. Professor, leitor compulsivo, tinha sempre histórias para contar, e todos adoravam ouví-lo. Além disso, distribuía abraços. Apertados, afetivos. Era um caramelo. Um doce de coco. Não havia quem não gostasse de si.
Um dia, sua boina preta de riscas brancas foi encontrada no piso de um estacionamento, em meio a uma enorme poça de sangue. O mar que batia forte na amurada e respingava por todo lado não era capaz de limpar aquela violência.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O grito da independência

Homem com mais de 50 anos não sabe fazer arroz ou feijão. Bolo, então, nem pensar. Cozinha é local de alquimia misteriosa.

Tem medo de mexer na máquina de lavar roupa. Na lavanderia, só chega perto do tanque – e olhe lá.

Desmanchou a barra da calça? Despregou o botão da camisa? Ah, melhor descartar a roupa!

Criança chorando? Mamadeira? Troca de fraldas? Se tiver netos, nunca topará ficar sozinho com eles!

Mulher é bicho esperto. Rainha do lar por séculos. Saber é poder.

Um dia ele descobre ser capaz de fazer arroz soltinho. Feijão com caldo grossinho. Carnes variadas ao forno. Legumes na manteiga. Tudo em 20 minutos. Refeições de gourmet sem mistério ou sofrimento.

Independência, afinal!!